segunda-feira, 4 de julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

Uma lenta e decepcionante estreia

Neste domingo a seleção brasileira fez sua estreia na Copa América 2011. E a primeira partida oficial da era Mano Menezes acabou decepcionando a todos. Um empate sem gols com a Venezuela, onde, mesmo com três atacantes, o ataque do Brasil não conseguiu criar boas chances de gol, parando na própria lentidão e na forte marcação venezuelana, e também na falta de inspiração de seus principais jogadores.

Durante o segundo tempo de partida, Mano tentou mexer na equipe, mas em nenhum momento alterou a característica e o estilo de jogo da seleção. Assim, ele não conseguiu fazer o Brasil estrear com o pé direito na Copa América.

A seleção brasileira entrou em campo como se esperava durante todo este período de treinamento antes da estreia: com três atacantes (Robinho, Neymar e Alexandre Pato), com Paulo Henrique Ganso sendo o camisa 10. No mais, nenhuma surpresa: Júlio César, Daniel Alves, Lúcio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva e Ramires. O início de partida foi bastante animador: uma seleção ligada, pegadora na marcação e indo pra cima. Logo com um minuto, Robinho teve a primeira chance. Porém, o ímpeto do começo ficou mesmo limitado aos primeiros dez minutos de jogo. Aos poucos, o Brasil foi diminuindo o ritmo de ataque. Como já era de se esperar, a Vanezuela entrou em campo apenas se defendendo. Mas a marcação demonstrada pelo time venezuelano foi adiantada, atrapalhando (e muito) principalmente a saída de bola da nossa seleção, que tinha dificuldades em sair jogando. Mas, quando conseguia, encontrava espaço no meio. Porém, outro problema atingiu o Brasil: a falta de inspiração e movimentação de Paulo Henrique Ganso, que errava passes que não costuma errar e muito preso na marcação. Robinho e Neymar constantemente trocavam de lado para a tentativa de confundir a marcação do adversário. O mais lúcido do ataque brasileira era Pato, que conseguia dominar as bolas que chegavam e cria boas chances. Numa delas, ele mesmo acertou o travessão. No mais, Neymar pecou pelo preciosismo na frente do gol, e Robinho viu uma bola sua ser salva pelo zagueiro da Venezuela. Com quase toda a posse de bola, o Brasil não conseguiu empolgar e chegar ao gol na primeira etapa.

Na segunda etapa, quando se esperava uma maior movimentação na frente para a chegada no gol, o panorama não mudou. O princípio de segundo tempo manteve a mesma postura brasileira, com pouca movimentação e dificuldades de chegar a frente. Mano tentou deslocar Daniel Alves para o meio-de-campo, para auxiliar Ganso na criação das jogadas. Porém, os passes saíam na "horizontal", o que facilitava a marcação da Venezuela, que aos poucos começava a se arriscar mais no ataque. Vendo as grandes dificuldades ofensivas, Mano Menezes sacou o apagado Robinho para a entrada de Fred, deslocando Pato para o lado de campo. Mas, logo depois, Mano tirou o próprio Alexandre Pato para a entrada de Lucas, sacando o principal homem de frente da nossa seleção. Elano também foi testado, mas não mudou em nada a movimentação e o estilo de jogo do Brasil. Pior. Durante a segunda etapa, o time venezuelano foi chegando e fazendo a zaga brasileira ter mais atenção. Enquanto isso, Paulo Henrique Ganso continuava errando muitos passes e não aparecia para buscar as jogadas. Neymar mal arriscava suas jogadas de efeito. Fred, isolado, não recebia bolas. E Lucas não conseguiu imprimir a velocidade desejada. Assim, a partida foi se arrastando até o final, com poucas oportunidades de gol e pouca eficiência do ataque brasileiro. Uma estreia que ninguém esperava.

Agora, resta a equipe de Mano Menezes se preparar ainda mais para o jogo do próximo sábado, contra o Paraguai, em Córdoba. Esta estreia foi realmente decepcionante, mas esta Copa América não dá brechas para lamentações. O próprio Mano, ao meu ver, mexeu mal na equipe. Colocou Fred para tentar testar Pato em uma das alas. Vendo que sua tentativa não deu resultado, sacou o próprio Alexandre, que foi sem dúvida o melhor jogador do Brasil na partida. Outra preocupação foi a grande dependência de Paulo Henrique Ganso. Ele não foi bem hoje, e a seleção sentiu muito. O problema é que Mano não possui um plano B, um outro jogador de armação que possa substituí-lo. Se quiser sacar Ganso, o treinador da seleção terá que mexer também no estilo de jogo da equipe. Ficou a impressão que a nossa seleção pecou pela falta de movimentação e "firmeza" na frente. Tanto é que o Brasil só chegava realmente com perigo a frente quando lançamentos vindos da zaga eram colocados para Pato. E, convenhamos, este estilo de jogo nenhum brasileiro deseja ver, e nem sempre estas bolas alçadas darão resultado. Pra quem esperava uma estreia com jogadas bonitas e o futebol envolvente dos jovens craques canarinhos, se decepcionou.

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